O diagnóstico de Hérnia de Hiato é um achado frequente em exames de endoscopia digestiva alta, especialmente em pacientes acima dos 50 anos. Embora o termo possa gerar preocupação inicial, trata-se de uma alteração anatômica bem documentada pela medicina, sendo uma das principais causas estruturais da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). Conhecer a relação da hérnia de hiato e refluxo te auxilia como lidar melhor com a situação.
Diferente de uma hérnia abdominal visível (como a umbilical ou inguinal), a hérnia de hiato é interna e altera a mecânica da junção entre o esôfago e o estômago. Compreender essa alteração é o primeiro passo para um tratamento eficaz.
Neste artigo, detalharemos a definição clínica, a relação de causalidade com o refluxo e as diretrizes de tratamento conservador e medicamentoso.
O Que é uma Hérnia de Hiato? Definição Anatômica
O tórax e o abdômen são separados por um músculo laminar chamado diafragma. Para que o esôfago atravesse o tórax e se conecte ao estômago, ele passa por uma abertura natural no diafragma denominada hiato esofágico.
Em uma anatomia preservada, o hiato envolve o esôfago de forma justa, mantendo o estômago inteiramente na cavidade abdominal.
A hérnia de hiato ocorre quando há um alargamento dessa abertura e um enfraquecimento dos ligamentos locais. Isso permite que uma porção do estômago (geralmente o fundo gástrico) sofra uma protrusão, deslizando para cima em direção à cavidade torácica. Em termos práticos, uma parte do estômago, que deveria estar no abdômen, desloca-se para o tórax.
A Ligação Direta: Por que a Hérnia Favorece o Refluxo?

A correlação entre hérnia de hiato e refluxo severo é explicada pela perda da competência da barreira antirrefluxo.
O Esfíncter Esofágico Inferior (EEI) é a válvula responsável por impedir o retorno do ácido. Fisiologicamente, o músculo do diafragma atua como um reforço externo, exercendo pressão sobre esse esfíncter para mantê-lo fechado.
Quando ocorre a herniação, o esfíncter é deslocado para cima, afastando-se da pressão do diafragma. Sem esse suporte mecânico, a válvula torna-se hipotônica (fraca) e incapaz de conter o conteúdo gástrico. O resultado é um refluxo facilitado e volumoso, uma vez que a barreira anatômica foi comprometida.
O Plano de Ação Terapêutico
Na maioria dos casos, a correção cirúrgica da hérnia (hiatoplastia) é reservada para situações de falha do tratamento clínico ou complicações graves (como estrangulamento ou esofagite severa). O padrão ouro de tratamento é o manejo clínico, focado em controlar o refluxo e proteger o esôfago da exposição ácida.
O protocolo é dividido em três pilares:
1. Manejo Comportamental e Proteção Mucosa
Como existe uma falha mecânica irreversível (sem cirurgia), a adaptação do estilo de vida é mandatória para reduzir a pressão intra-abdominal e a exposição ao ácido:
- Controle do IMC: O excesso de peso visceral aumenta a pressão no abdômen, empurrando a hérnia para cima. A perda de peso é a medida mais eficaz.
- Elevação da Cabeceira: Dormir com o tronco elevado em 15cm utiliza a gravidade para dificultar o refluxo noturno.
- Suporte de Barreira (Citoproteção): Devido à incompetência da válvula, o esôfago do paciente herniado fica mais exposto ao ácido. O uso de suportes de alta viscosidade, como o Alloezil um suplemento digestivo, é uma estratégia coadjuvante relevante. O gel concentrado de Aloe Vera possui propriedades de bioadesão, formando um filme protetor sobre a mucosa esofágica. Isso auxilia na preservação da integridade do tecido frente à agressão química do suco gástrico.
2. Terapia Farmacológica
O médico gastroenterologista geralmente prescreve medicamentos da classe dos Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs) ou bloqueadores H2. O objetivo não é “curar” a hérnia, mas suprimir a produção de ácido, tornando o material refluído menos lesivo ao esôfago.
3. Intervenção Cirúrgica (Fundoplicatura)
A cirurgia videolaparoscópica é indicada quando o paciente torna-se dependente de altas doses de medicação, apresenta regurgitação incontrolável ou desenvolve lesões pré-malignas (Esôfago de Barrett). O procedimento reposiciona o estômago e reconstrói a válvula antirrefluxo.
Conclusão: Prognóstico e Qualidade de Vida
O diagnóstico de hérnia de hiato não é uma sentença de dor crônica. Trata-se de uma condição mecânica que exige gerenciamento contínuo.
Embora a anatomia esteja alterada, é perfeitamente possível viver assintomático. O sucesso do tratamento depende da adesão do paciente às medidas de controle: redução de peso, dieta adequada e o uso estratégico de proteção mucosa com soluções como o Alloezil, garantindo que, mesmo com a alteração estrutural, o sistema digestivo mantenha seu equilíbrio funcional.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. A hérnia de hiato pode regredir espontaneamente?
Não. Sendo uma alteração anatômica estrutural (alargamento do hiato diafragmático), ela não se fecha sozinha com o tempo ou com medicamentos. No entanto, os sintomas de refluxo causados por ela podem entrar em remissão completa com o tratamento clínico adequado.
2. Quais exercícios físicos são contraindicados?
Pacientes sintomáticos devem evitar exercícios que aumentem drasticamente a pressão intra-abdominal, como levantamento de peso excessivo (powerlifting), abdominais tradicionais intensos ou posições invertidas, pois podem favorecer o deslizamento do estômago para o tórax e exacerbar o refluxo.
3. Onde se localiza a dor da hérnia de hiato?
A hérnia em si, na maioria das vezes, é indolor. A dor referida pelo paciente é secundária ao refluxo ácido (pirose retroesternal) ou, em casos de hérnias volumosas, pode haver uma sensação de plenitude ou desconforto epigástrico (na “boca do estômago”) e torácico após refeições.
4. O Alloezil corrige a hérnia de hiato?
Não. Nenhum suplemento é capaz de corrigir a falha muscular do diafragma. A função do Alloezil é atuar no manejo dos sintomas, oferecendo suporte à mucosa do esôfago. Ele ajuda a proteger o tecido contra a irritação causada pelo ácido que reflui devido à presença da hérnia.

